Autoridade de Saúde alerta para “fase de viragem”

O responsável da Autoridade de Saúde Regional dos Açores alertou, recentemente, que a região está a entrar numa “fase de viragem” da covid-19, apelando à população para recorrer à Linha de Saúde Açores em caso de suspeita. “Estamos num momento de viragem. Em território continental a situação está a evoluir exponencialmente. Na própria Região Autónoma da Madeira têm mais de 100 casos positivos ativos registados”, avançou Tiago Lopes, acrescentando que o hemisfério norte está no início da época gripal.

O responsável máximo da Autoridade de Saúde Regional, que é também diretor regional da Saúde, falava, em Angra do Heroísmo, numa conferência de imprensa, para um ponto de situação sobre a evolução da pandemia de covid-19 na região.

Desde junho, quando a região atingiu os zero casos ativos de infeção, que a Autoridade de Saúde Regio-nal deixou de fazer ‘briefings’ bissemanais sobre este tema. Tiago Lopes, que é candidato pela ilha Terceira às eleições legislativas regionais, justificou o balanço à comunicação social, a menos de uma semana do sufrágio, com a evolução da situação nacional e com o facto de, na ilha de São Miguel, ter sido detetado um caso de infeção numa escola e de um utente estar internado, inspirando “maior atenção” dos profissionais de saúde.

O responsável da Autoridade de Saúde apelou à população para que, em caso de sintomas de gripe ou covid-19, ligue “em primeira instância” para a Linha de Saúde Açores, em vez de recorrer aos serviços de urgência, salientando que foi essa “a chave do sucesso” da contenção da pandemia na primeira fase. Por outro lado, sublinhou a importância da vacinação contra a gripe, apelando aos cidadãos com mais de 60 anos ou que pertençam a grupos de risco para que entrem em contacto com a unidade de saúde do seu concelho.

Segundo o diretor regional da Saúde, já foram vacinados 5.200 pessoas nos Açores, entre utentes de lares e unidades de cuidados continuados e profissionais de saúde.

10 cadeias ativas

 Desde junho foram identificadas 13 cadeias de transmissão local do novo coronavírus nos Açores, 10 na ilha de São Miguel, uma em Santa Maria, uma no Pico e uma na Terceira, mas três (em São Miguel) já foram dadas como extintas.

Com exceção de uma, todas as cadeias “estão identificadas, circunscritas e confinadas”, tendo tido origem em casos importados.

No caso do utente internado em Ponta Delgada, os contactos próximos com resultado positivo “pertencem todos ao mesmo agregado familiar”, mas ainda não foi detetada a origem da infeção, à semelhança do que aconteceu com um caso isolado na ilha do Faial.

Sem transmissão comunitária

Tiago Lopes disse que, “até ao momento, não se vislumbra” a possibilidade de existir transmissão comunitária nos Açores, mas sublinhou que essa hipótese “está sempre latente”.

“Não estamos livres de isso acontecer, de a qualquer momento identificarmos um caso positivo sem história clara, inequívoca e imediata de ligação com o exterior e por via da sua atividade de vida diária (…) possa desencadear um foco de infeção e termos uma transmissão comunitária”, alertou.

O responsável da Autoridade de Saúde Regional afastou também um cenário de descontrolo da situação na ilha de São Miguel, onde se concentram mais de metade dos casos ativos dos Açores.

“Temos menos casos do que já tive-mos há uns dias, em que ultrapassámos os 70 casos positivos ativos. A nível epidemiológico, comparativamente com o resto do território nacional, somos a região com menos casos positivos ativos”, frisou.

Questionado sobre o recurso aos 100 mil testes rápidos que o Governo disse que iria adquirir, Tiago Lopes adiantou que ainda não houve necessidade de os utilizar. “Têm uma fiabilidade e uma sensibilidade na especificidade menor do que um teste PCR e até ao momento ainda estamos a privilegiar a metodologia PCR”, justificou, alegando que os laboratórios da região ainda estão longe de atingir a sua capacidade máxima.

DI/RL Açores

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