Avelino Meneses contra desejo de “alguns partidos da oposição” de transformar o Governo Regional num “verdadeiro mordomo de festividades populares” 

O Secretário Regional da Educação e Cultura insurgiu-se hoje, na Horta, contra o desejo de “alguns partidos da oposição” de transformar o Governo Regional naquilo que “ele ainda não é e que jamais deve ser”, ou seja, num “verdadeiro mordomo de festividades populares”.

“É estranho que alguns partidos da oposição, que criticam constantemente o Governo Regional por pretensamente imiscuir-se em quase tudo, provocando o alegado sufoco da sociedade civil, queiram agora também transformar o Governo naquilo que ele ainda não é e que jamais deve ser, ou seja, em verdadeiro mordomo de festividades populares, contra a tradição dos nossos antepassados que sempre se ancorou na liberdade, na independência e na entreajuda”, frisou Avelino Meneses.

O titular da pasta da Educação e Cultura, que falava na Assembleia Legislativa, num debate sobre o regime jurídico de apoio ao mordomo, comissão de festas, impérios e irmandades na preparação e realização das festas tradicionais e populares do culto do Espírito Santo, salientou que falta a este projeto, o primeiro de iniciativa popular, “uma clara definição da geografia e da substância”.

“Tendo inequivocamente por objetivo a defesa e a valorização do culto do Espírito Santo, mistura esta sua essência com a devoção aos Santos Patronos e ainda com a proteção da tauromaquia, neste caso vertida em estímulo às touradas à corda, mais vulgares na Terceira, menos, raras ou inexistentes nas demais ilhas”, frisou.

Avelino Meneses afirmou que o culto ao Espírito Santo “é a verdadeira religião do povo dos Açores”, já que “consorcia na perfeição a diversidade que somos e a unidade que queremos ser”, sendo celebrado “diferentemente em cada ilha e em cada lugar”, mas “uniformemente celebrado em todo o arquipélago e, por isso, é um tanto sabiamente que a celebração do Dia dos Açores acontece na segunda feira do Pentecostes, data emblemática da invocação do Espírito Santo”.

Para Avelino Meneses, esta é, aliás, “a melhor forma da identificação da Autonomia com a história dos Açores, dado que as datas estritamente autonómicas – o 16 de fevereiro, o 2 de março e o 6 de junho – são ainda demasiado frágeis, inclusivamente pouco consensuais, até por serem essencialmente datas de S. Miguel, dada a justa identificação de Ponta Delgada com o berço da Autonomia dos Açores”.

Por outro lado, considerou o Secretário Regional, as manifestações religiosas e profanas do culto do Espírito Santo “são, de todo, avessas “ à regulamentação e à disciplina de “quaisquer autoridades, sobretudo civis”.

Nesse sentido, salientou que a iniciativa em debate no Parlamento estará a provocar o “abastardamento” das “festas privadas e particulares em festas políticas e públicas”.

Este projeto, ainda de acordo com o Secretário Regional da Educação e Cultura, constitui “uma ameaça à nobreza de muitos princípios, nomeadamente os da liberdade, da independência e do voluntarismo, que tradicionalmente caraterizam a relação do povo com o Divino”.

O projeto de decreto legislativo regional, que foi rejeitado pela Assembleia Legislativa, possuía ainda implicações financeiras para o erário público que, frisou Avelino Meneses, “não podem ser de todo olvidadas”.

GaCS/RL Açores

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