Home / Açores / Cachalotes marcam cultura dos Açores de forma indelével, afirma Diretor Regional dos Assuntos do Mar
Cachalotes marcam cultura dos Açores de forma indelével, afirma Diretor Regional dos Assuntos do Mar

Cachalotes marcam cultura dos Açores de forma indelével, afirma Diretor Regional dos Assuntos do Mar

O Diretor Regional dos Assuntos do Mar afirmou, na Horta, que o Governo dos Açores está a trabalhar para que o arquipélago seja a primeira região do mundo classificada com o galardão de ‘Whale Heritage Site’, reconhecido pela World Cetacean Alliance e por outras entidades internacionais de relevo, como a International Union for Conservation of Nature.

“Os Açores, devido à sua posição geográfica, ao seu regime oceanográfico e à topografia complexa dos seus fundos, albergam uma fauna de baleias e golfinhos muito diversa”, salientou Filipe Porteiro, frisando que “os cetáceos e, em especial, o cachalote, marcam de forma indelével a cultura” açoriana.

Filipe Porteiro falava na palestra intitulada ‘The whales that shape the Azores maritime culture: why the Archipelago is a true Whale Heritage Site’, apresentada no âmbito da Cimeira da Aliança Mundial de Cetáceos, que decorre até sexta-feira.

“A relação do povo açoriano com estes gigantes marinhos tem dimensões históricas e atuais, que envolvem aspetos que vão desde a economia à sociologia, passando pela arquitetura, a etnografia, artesanato e arte, ciência e tecnologia, conservação e sensibilização ambiental”, afirmou.

“Desde a caça à baleia até à observação de cetáceos, mudou-se o paradigma, mas estas atividades económicas exploram, no fundo, os mesmos recursos”, salientou o Diretor Regional.

Na sua intervenção, recordou que o legado da baleação norte-americana, entre 1760 e 1921, alimentou a tecnologia que foi adaptada para que a caça à baleia costeira se iniciasse nas Flores, no Pico e no Faial e se estendesse de seguida a todas as ilhas dos Açores, de 1850 a 1987.

A atividade baleeira marcou a primeira grande vaga de emigração açoriana para os Estados Unidos da América, sendo que na década de 1940 iniciou-se o período da industrialização da baleação açoriana que, segundo referiu o Diretor Regional, “atingiu o seu apogeu económico logo a seguir à II Grande Guerra”.

Filipe Porteiro afirmou que muitos autores norte-americanos e portugueses têm vindo a investigar e publicar estudos sobre estas atividades marítimas, “clarificando a verdadeira dimensão cultural e patrimonial que elas tiveram na sociedade açoriana”.

Nesse sentido, salientou que o legado da baleação nos Açores inclui “um vasto conhecimento científico, estilos arquitetónicos e de construção naval, bem como técnicas de melhor velejar, um conjunto significativo de peças de artesanato e obras de arte, uma centena e meia de elementos de património edificado de apoio à baleação em todas as ilhas e ainda uma mão cheia de museus e centros de interpretação que perpetuam a memória, com especial relevo para o dos Baleeiros, no Pico”.

“Depois da baleação surge a observação de cetáceos, aplicando os conhecimentos acumulados pelos homens do mar aos novos propósitos”, afirmou, frisando que foram criadas “leis e regras modernas e dinâmicas que garantem a sustentabilidade da nova atividade”.

Filipe Porteiro disse ainda que se intensificou a investigação científica, biológica, histórica e social, bem como a política de conservação destas espécies classificadas e protegidas internacionalmente.

“Dignificou-se a cultura baleira passada aos olhos do presente”, sustentou, acrescentando que “hoje os Açores são um dos locais do mundo onde a herança cultural da relação do homem com as baleias é mais marcante, alicerce uma nova visão moderna da exploração sustentável dos oceanos e dos seus recursos”.

“O Governo dos Açores orgulha-se de estar profundamente envolvido com a sociedade na exaltação da beleza e do poder que estas emblemáticas criaturas marinhas têm para gerar progresso e identidade”, afirmou Filipe Porteiro.

GaCS/RL Açores

About admin

Leave a Reply

Scroll To Top