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Café da Fajã dos Vimes – “O segredo está no próprio café”, afirma Manuel Nunes (c/áudio)

Em finais do século XVIII “um senhor da Fajã de São João” emigrou para o Brasil, lá trabalhou numa fazenda onde predominavam as plantações de café. Regressado a São Jorge no início do século XIX, traz consigo uma planta de café, o café arábica, que veio assim dar origem ao famoso café da Fajã dos Vimes.

É em São Jorge que está localizada a maior plantação de café dos Açores, mais precisamente na Fajã dos Vimes, costa sul da ilha.

Cerca de 400 plantas, que após o devido processo se transformam num café que já tem fama um pouco por todo o mundo.

Manuel Nunes, dono da maior produção de café no arquipélago recorda que o clima da fajã é muito propício para a planta em si. A Fajã dos Vimes é caracterizada por ter um clima ameno e solo fértil. “Um clima dos melhores para o café, é muito quente e tem muita pedra”, salienta Manuel Nunes, evidenciando a qualidade do seu café.

Manuel Nunes não sabe precisar, mas recebe anualmente muitas visitas de turistas e curiosos que querem ficar a saber um pouco mais acerca desta plantação e saborear aquele café que muitos afirmam ter “um sabor diferente e especial”.

“Vem aqui muita gente, vêm de propósito das Velas aqui para provar o nosso café”. Umas dezenas de quilómetros que para muitos valem a pena, tal são a fama e a qualidade do café que se pode saborear naquela Fajã localizada no Concelho da Calheta.

Este ano as visitas já começaram, o produtor afirma que no mês de janeiro já apareceram dois grupos e que para março já tem igualmente marcações.

O café é colhido entre os meses de maio e setembro, isto porque, segundo o produtor, “nunca vem todo de uma vez, vai saindo às camadas”, referindo que o tempo também é que o determina, sendo que “neste momento, em pleno mês de fevereiro”, tem plantas já com flor, “o que não é normal nesta época do ano”, facto nunca antes visto por Manuel Nunes.

Apesar de já ter recebido propostas, não quer exportar o seu café, comercializando-o apenas no seu estabelecimento, o Café Nunes.

“Não quero vender café meu para revenda, para os turistas levarem 50, 100 gramas, tudo bem”, adiantou Manuel Nunes. O produtor aponta como razão o facto de “ser uma indústria pequena, é tudo manual e dá muito trabalho”.

A Fajã dos Vimes, localizada entre outras duas fajãs, nomeadamente a Fragueira e a Fajã da Fonte dos Bodes, é um ponto turístico obrigatório para quem visita São Jorge, não só pelo café, mas também pelo artesanato, também pertencente à Família Nunes.

Alzira Nunes, esposa de Manuel Nunes, em conjunto com a sua irmã continua a tecer as características colchas no tear, naquela que é denominada por “Casa de Artesanato Nunes”.

Liliana Andrade/RL Açores

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