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Conserveira Cofaco despede 180 trabalhadores na Madalena do Pico – Governo e oposição já reagiram

Conserveira Cofaco despede 180 trabalhadores na Madalena do Pico – Governo e oposição já reagiram

A administração da conserveira Cofaco informou esta terça-feira que vai proceder ao “despedimento coletivo” dos 180 trabalhadores da empresa, quadros na ilha do Pico.

De acordo com Sérgio Gonçalves, representante do Sindicato de Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços dos Açores, o conselho de administração reuniu-se com os cerca de 180 trabalhadores da fábrica na manhã desta terça-feira para os informar de que todos seriam despedidos com direito a “indemnização e fundo de desemprego”, deixando a Cofaco de laborar naquela ilha até à construção de uma nova fábrica.

A fábrica Cofaco, no concelho da Madalena, na ilha do Pico, vai manter os trabalhadores até abril, altura em que arrancam as obras para a construção da nova unidade industrial.

O sindicalista diz que os trabalhadores querem acreditar que serão admitidos após dois anos, mas temem muito pela situação”.

A conserveira está sem laborar desde o dia 14 de dezembro de 2017, altura em que os trabalhadores – na maioria mulheres – foram “para as férias do Natal” e sem qualquer informação acerca de qual seria a solução para a sua situação.

E sobre o assunto do despedimento coletivo da COFACO, o  Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia adiantou esta terça-feira, em Ponta Delgada, que a candidatura da empresa COFACO a apoios comunitários para a construção de uma nova unidade fabril na ilha do Pico deu entrada a 20 de dezembro de 2017, afastando a hipótese de deslocalização.

Gui Menezes, questionado por jornalistas, afirmou que a Secretaria Regional que dirige “está em condições de avaliar o projeto”, acrescentando que essa avaliação será feita “o mais rapidamente possível”, para que a fábrica “possa ser reconstruída e possa iniciar a laboração novamente na ilha do Pico”.

A obra de reconstrução da fábrica de processamento de atum na Madalena, no Pico, no mesmo local onde se encontra a atual, tem um prazo de 18 meses, sendo que a empresa optou por despedir a totalidade dos trabalhadores daquela unidade fabril, estando prevista a sua reintegração no futuro.

O Secretário Regional disse que, “de acordo com o que a COFACO transmitiu, os direitos dos trabalhadores serão garantidos”.

O Governo dos Açores já designou uma equipa tripartida de apoio aos trabalhadores da COFACO, com elementos da Inspeção do Trabalho e da Segurança Social, que será instalada nos serviços de Segurança Social da ilha do Pico.

Em declarações aos jornalistas, Gui Menezes afirmou que ainda não sabe se “todos os trabalhadores voltarão a ser integrados”, referindo que, “tratando-se de uma nova fábrica, há alterações tecnológicas que vão ocorrer”.

A COFACO submeteu o projeto para a construção da nova unidade fabril, que irá substituir a atual fábrica, com mais de 50 anos, a fundos comunitários no âmbito de uma portaria do FEAMP – Fundo Europeu para os Assuntos Marinhos e das Pescas, para apoios a investimentos na área da transformação de pescado.

Segundo Gui Menezes, o projeto apresentado, no valor de cerca de seis milhões de euros, “faz parte de uma alteração estratégica que a empresa quer ter nos Açores para se tornar mais competitiva”.

O líder do PSD/Açores lembrou também esta terça-feira que, em julho, o parlamento açoriano aprovou uma resolução dos sociais-democratas pedindo o acautelar de postos de trabalho na Cofaco, na ilha do Pico, onde serão despedidos 180 quadros.

Duarte Freitas sublinhou, em conferência de imprensa na sede do PSD/Açores, em Ponta Delgada, que o partido vai apurar ao pormenor o que se está a passar .

Na ocasião, o dirigente partidário referiu que o grupo parlamentar do PSD/Açores reúne-se para jornadas parlamentares entre quarta-feira e sexta-feira precisamente na ilha do Pico, e na ocasião haverá, por exemplo, um encontro com trabalhadores da Cofaco.

O parlamento dos Açores aprovou em julho do ano passado, por unanimidade, uma resolução apresentada pelo PSD, para que fossem acautelados os postos de trabalho na conserveira Cofaco, na ilha do Pico, durante o processo de construção da nova fábrica.

Marco Costa, deputado do PSD, explicou na ocasião que a empresa já anunciou a intenção de construir uma nova unidade fabril, mas lembrou que esse investimento implica a suspensão temporária dos postos de trabalho dos cerca de 180 trabalhadores.

O BE/Açores já veio, entretanto, acusar a conserveira de “total desrespeito e insensibilidade social”, e declarou ser “inaceitável que esta empresa continue a receber apoios públicos”.

Pode mesmo ler-se na nota de imprensa divulgada pelo BE e passo a citar que “A Cofaco tem recebido, ao longo dos anos, milhões de euros de apoios públicos, direta e indiretamente. A este apoio público, com o dinheiro de todos os açorianos e açorianas, a empresa responde com um despedimento coletivo que vai afetar 180 pessoas, e que terá um enorme impacto social e económico na ilha do Pico”, palavras dos bloquistas numa nota enviada esta terça-feira às redações.

Também os deputados do PS Açores eleitos pela ilha do Pico já vieram lamentar o despedimento coletivo que irá acontecer na fábrica da COFACO, localizada na Vila da Madalena e já pediram uma reunião de urgência com o Sindicato de Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços dos Açores.

O encontro está agendado para esta quarta-feira, dia 10 de janeiro, às 15 horas na delegação da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores na Ilha do Pico. Os deputados Miguel Costa e Mário Tomé realçam “o facto da Câmara Municipal da Madalena e o Governo Regional terem feito tudo – e continuarem a fazer -, o que está ao seu alcance para manter estes postos de trabalho e a fábrica a laborar na ilha do Pico”.

Os deputados defendem ainda que é preciso unir esforços entre todas as entidades para salvaguardar que os direitos dos trabalhadores são respeitados e para garantir que a empresa concretiza a intenção anunciada de construir uma nova fábrica na ilha do Pico e que poderá integrar funcionários agora despedidos.

AO/GaCS/RL Açores

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