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Crónica de Opinião – 02 de maio de 2014

As palavras do João  – Liberdade de imprensa, hoje e sempre

açores_radio_lumena_noticias_turismo_ilha_cronica_João_Gago_Câmara3 de Maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, uma data tão importante quanto o deve ser a faculdade de que cada um poder expressar-se livremente, como, quando e onde quiser.

Tive um avô que foi oficial de censura do antigo regime e senti pesadamente o que era criticar, perseguir e censurar injustamente, observando, do outro lado da barricada, gente boa a ter medo de escrever e de falar. E tudo corria bem enquanto os resultados não passavam de reprimendas, porque casos havia em que os processos iam bastante mais longe. Recordo-me, como se fosse hoje, da sua escrivaninha cheia de artigos de opinião e de reportagens de redações que não eram de modo algum publicados sem primeiro passarem pelo seu crivo. Era quase como um golpe de faca ver o seu lápis a riscar palavras doutros, a cortar a raiz ao pensamento. Gostava dele como avô materno que foi, mas detestava essa tarefa a que me opunha e que sempre considerei pardacenta, bafienta e asquerosa e que lhe foi parar às mãos provinda do governo de Salazar, que sempre apoiou. Foi um pai extremoso para com os seus três filhos e para com alguns netos, mas ceifou o uso da palavra a muita gente, quando esta deveria ser virtude a ser respeitada. Exorcizo pois aqui esta triste memória em particular de um avô que já lá está, e Deus o tenha.

Mas não se pense que os atentados à liberdade de imprensa não abundam em pleno século XXI, quando jornalistas são todos os anos sequestrados e mortos por grupos radicais ou por governos intolerantes e sombrios que gravitam na área da imposição e da intransigência. 2011 foi, do passado recente, o ano mais negro, com 62 jornalistas assassinados no exercício das suas funções. Há pouco tempo o deputado russo, ainda por cima do partido liberal, Vladimir Zhironovsky, irritado com a jornalista Stella Dubovitskaya, grávida de seis meses, que questionava o parlamentar sobre sanções que a Rússia deve ou não aplicar ao governo da Ucrânia, em plena conferência de imprensa pediu aos seus seguranças que a levassem dali e que a beijassem e violassem: “Quando eu mandar vocês levam-na daqui e violam-na violentamente.” – referia, colérico, o animal.

Exaltemos pois todos com este dia e com todos os outros que se lhe seguem por podermos dizer e escrever em liberdade, uma das mais extraordinárias conquistas do que foi possível usufruir deste regime democrático.

 João Gago da Câmara

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