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Crónica de Opinião – 21 de fevereiro de 2014

As palavras do João – Enfim, Lisboa

açores_radio_lumena_noticias_turismo_ilha_cronica_João_Gago_CâmaraOntem fui à baixa, aqui por Lisboa. A intenção e o rumo foram um alfarrabista nas Portas de Santo Antão a vender livros a um e a dois euros. Sinceramente, não sei como aquela gente consegue fazer estes preços, vendendo inclusivamente grandes clássicos portugueses e estrangeiros e outros romances de referência a estes valores de pechincha. Mais à frente, no largo de São Domingos, a entrada no Templo datado do século XIII ao que se segue o indispensável batismo repetido do tradicional cálice de ginjinha. Gente de todas as raças e credos polvilhavam o largo histórico de Lisboa, desde africanos, nórdicos, engraxadores, carteiristas, ciganos, pedintes, namorados, até três senhoras de proveta idade agarradas aos cálices, e, isoladamente, eu e outros, aqui e além, tipo múmias de ginja na mão.

Lisboa faz sentido a uns e a outros de maneira diferente. Eu, por exemplo, gosto do périplo Portas de Santo Antão, Largo de São Domingos e Rossio, Rua do Carmo, Largo de Camões e Bairro Alto. No Chiado sempre paro a ouvir cantar o fado, no Largo de Camões não dispenso parar para repensar o enorme poeta e a epopeia portuguesa por excelência.

Ao subir o Chiado ontem, sob o cantar de Mariza, uma agradável surpresa, Clara Ferreira Alves, de quem sou fã incondicional e com quem na oportunidade conversei por alguns minutos. A comentadora, do meu ponto de vista, a mais proeminente revelada até hoje, conjuntamente com Luís Pedro Nunes, Pedro Marques Lopes e Daniel Oliveira, faz semanalmente “O Eixo do Mal” na Sic Notícias, programa de há muito conduzido por Nuno Artur Silva. Falámos do acompanhamento que fez de Soares pelas cinco partidas do mundo e de Passos e de Marcelo e da bronca do não apoio à presidência. Inteligente, não suporta Passos, e diz que Marcelo é uma gargalhada. Rimo-nos e depois partiu, transportando com ela, Chiado acima, o sorriso bonito da insatisfação, que tanto exprime, do ser-se português num país a fingir. As sete colinas tanto flanqueiam gente desta, do melhor, como gente da outra, do pior. Enfim, Lisboa.

 João Gago da Câmara

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