Médicos jorgenses sentem-se insultados pelo Secretário Regional da Saúde (c/audio)

O Secretário Regional da Saúde, que reuniu esta quinta-feira com o Conselho de Ilha de São Jorge e com os médicos jorgenses, afirmou que existem fundamentos técnicos para manter em funcionamento os equipamentos ‘point-of-care’, sublinhando a conveniência de se manter a sua utilização em paralelo com as análises tradicionais, “até que os médicos confirmem a sua validade em termos de fiabilidade”. No entanto, esta não é uma situação que gere consenso, e os esclarecimentos do Secretário Regional foram mesmo “ofensivos” para os médicos da Unidade de Saúde de Ilha.

Os médicos jorgenses dizem-se insultados com os exemplos apontados pelo titular da pasta da saúde nesta reunião de Conselho de Ilha.

“O facto de dar aqueles exemplos, são exemplos arcaicos e ofensivos para nós, sentimo-nos insultados com aquelas exposições”, afirmou Rosa Pinto, uma das médicas da Unidade de Saúde ide Ilha presente na reunião.

Os médicos na ilha, pelo menos a maioria, diz não ter confiança no serviço, e ponderam mesmo deixar de realizar certos serviços.

“Não me sinto segura com o point-of-care, é algo com que não sei trabalhar, logo não apoio”, afirmou Evangelina Boa Morte, médica da Unidade de Saúde de Ilha de São Jorge, dizendo ainda que se quer sentir segura para exercer a sua profissão e “não estando segura não consigo utilizar o point-of-care só, sem laboratório”, ressalvou.

Nesta reunião foi também abordado a novo modelo de evacuações aéreas, que passa a ser decidido pelo médico regulador que se encontra no Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros.

O Secretário Regional da Saúde salientou que se trata de um modelo em todo o mundo com grandes vantagens, “uma vez que passa a decisão da evacuação para um médico com formação específica nesta área e que resolve em função da melhor resposta para o utente”.

Contudo, este novo modelo de evacuações é também uma situação que está a gerar críticas, pois os médicos dizem desconhecer o funcionamento do novo modelo, e numa evacuação já efetuada ao abrigo deste novo modelo “o resultado foi extremamente negativo”.

“O novo modelo de evacuações ainda não sabemos qual é, veio um despacho normativo e nós não sabemos de nada nem sabemos o que se passa”, afirmou Rosa Pinto.

Também Evangelina Boa-Morte salientou que não tinha sido explicado nada aos médicos sobre este novo modelo de evacuação e que não sabem mesmo o que fazer perante a situação, dizendo mesmo que esta quarta-feira “houve uma evacuação no Centro de Saúde de Velas e correu bem mal porque realmente não sabiam o que fazer com a evacuação”.

RL

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