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Mercearia Ambulante: pelos caminhos de São Jorge (Reportagem)

Mercearia Ambulante: pelos caminhos de São Jorge (Reportagem)

De certeza que já conhece as carrinhas de distribuição e venda de frutas, de peixe, de pão. Mas e se eu lhe disser que existe uma carrinha que circula por São Jorge com produtos de mercearia? Alberto Bettencourt pensou nas pessoas mais idosas a viver em sítios em que é mais difícil o acesso a cafés e supermercados e montou o seu negócio: a mercearia ambulante. Alberto partilhou connosco como é que esta ideia surgiu: “A ideia surgiu numa conversa com a minha esposa porque nós já fazíamos o serviço de venda ambulante de bebidas e snacks nas obras da ilha, só que o mercado das obras começou a decair e decidimos arriscar em mercearia, um outro tipo de venda porta-a-porta”.

A carrinha com as mercearias faz dois circuitos por semana, à terça e à quinta fazem o “circuito do topo, no qual à quinta-feira vamos também à fajã de São João e aos Lourais”. Na quarta e na Sexta fazem “o circuito do Sul e dos Nortes, em que passamos pelas freguesias de Urzelina, Manadas, Terreiros. Seguimos para Ribeira Seca e fazemos então os Nortes”, explica o comerciante.

Os seus clientes são, normalmente, pessoas mais idosas com algumas dificuldades de deslocação aos locais de comércio, até porque, como explica Alberto Bettencourt, “a ideia deste negócio não é servir toda a população da ilha. A ideia surgiu para nós fazermos o melhor que pudéssemos e o mercado proporcionou-se para pessoas que têm difícil acesso ao mercado que não têm carro, pessoas de uma certa idade. Pronto, isto começou a funcionar como um serviço de ajuda e proximidade do que propriamente de um grande negócio”. Os clientes são fiéis ao seu serviço, sabem as horas a que passa a carrinha e mostram-se contentes por conseguirem fazer as suas compras a dois passos de casa.

Claro que a crise atrapalha o poder de compra dos seus fregueses, por isso as soluções, quando há falta de dinheiro para as mercearias, passam pela troca de bens como se fazia antigamente. “Isso é uma coisa que tem funcionado ultimamente porque a vida está difícil para todos e há certas pessoas que chegam a alturas do mês em que já não têm dinheiro suficiente para as compras. Então, o que fazem é oferecer algo em troca, como batatas, tomates ou o que tiverem. O que fazemos é ficar com essas coisas e depois vende-las a outra pessoa. Desta forma conseguimos ajudar toda a gente”.

Vendem frutas e todo o tipo de artigos para a casa, caso alguém queira algo que não tenham em stock, podem encomendar e no próximo encontro já se encontra disponível. “O que temos é tudo à base de secos, pois na carrinha não podemos ter os congelados”, refere Alberto.

Este tipo de negócio tem algumas dificuldades, a maior delas tem a ver com a falta de dinheiro dos clientes. “As pessoas têm-se retraído e o negócio tem decaído um bocadinho. Mas, claro que surgem outras dificuldades, como as avarias na viatura”, confessa Alberto. Porém, o negociante mostra-se confiante no futuro e diz que irá fazer tudo o que puder para continuar a servir as pessoas porta-a-porta.

Então já sabe, a mercearia ambulante anda pelos caminhos de São Jorge e pode estar apenas a dois passos de sua casa.

Catarina Ávila/RL Açores

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