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Parque Arqueológico Subaquático do Slavonia criado na ilha das Flores

Parque Arqueológico Subaquático do Slavonia criado na ilha das Flores

O Governo dos Açores criou, por diploma publicado hoje em Diário da República, o Parque Arqueológico Subaquático do Slavonia, na costa do Lajedo, no concelho das Lajes das Flores.

A decisão do Executivo, aprovada em julho durante a visita estatutária à ilha das Flores, visa, entre outros aspetos, proteger, conservar e divulgar o património arqueológico, possibilitando a promoção do estudo e a fruição desses bens.

Nesse sentido, no interior do parque arqueológico é interdita a pesca, qualquer que seja a arte ou modalidade, a ancoragem de embarcações, boias ou quaisquer estruturas, assim como a realização de trabalhos de investigação científica sem autorização da autoridade gestora que, neste caso, é a Direção Regional da Cultura.

O decreto regulamentar regional, que produz efeitos a partir quarta-feira, 30 de setembro, especifica que, no interior do parque, “a recolha de material arqueológico ou de quaisquer bens integrados no património cultural subaquático só é permitida no âmbito de trabalhos arqueológicos subaquáticos devidamente licenciados pela direção regional competente em matéria de cultura”.

O local do naufrágio do ‘Royal Mail Ship Slavonia’, localizado em águas pouco profundas junto à costa sudoeste da ilha das Flores, apresenta, de acordo com o preâmbulo do diploma regional agora publicado, “condições de visitação, a que se junta o interesse e a representatividade da embarcação naufragada”.

O navio Slavonia é representativo das grandes vagas de emigração europeia para os EUA, bem como encarna a narrativa do comércio “à escala atlântica das grandes companhias privadas, que caraterizam o liberalismo económico de pendor capitalista do século XIX, tanto quanto do imperialismo britânico, na época do seu máximo esplendor”.

Por outro lado, a proteção dos restos afundados do Slavonia permite “a conservação e salvaguarda da biodiversidade marinha existente naquela zona, representativa dos ambientes costeiros da região”, já que esta estrutura submersa “proporciona substrato para a colonização de organismos sésseis, criando um ambiente similar aos recifes naturais costeiros do Mar dos Açores, nos quais se abrigam espécies marinhas de importância ecológica e económica”.

A zona onde naufragou o Slavonia apresenta, ainda, caraterísticas que permitem visitas controladas de mergulhadores, “sem impacto negativo sobre a conservação dos bens arqueológicos e naturais presentes”.

Este testemunho arqueológico, que se encontra “bem identificado”, contém um “elevado potencial” na promoção turístico-cultural dos Açores, podendo por isso “transformar-se em museu subaquático”.

GaCS/RL Açores

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