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Ramo Grande, “uma raça do passado com futuro” – 1º Dia do Criador da Raça do Ramo Grande decorreu em São Jorge (c/áudio)

Ramo Grande, “uma raça do passado com futuro” – 1º Dia do Criador da Raça do Ramo Grande decorreu em São Jorge (c/áudio)

O 1º Dia do Criador da Raça Ramo Grande, a raça autóctone dos Açores, decorreu esta terça-feira na ilha de São Jorge, a ilha que apresenta um maior número de criadores e de animais desta raça registados.

Atualmente estão inscritos mais de 1300 bovinos no livro de adultos distribuídos por seis ilhas.

A presidir ao evento, que contou com várias palestras de entendidos na área de genética animal e da raça Ramo Grande, esteve o Diretor Regional da Agricultura.

Fernando Sousa exaltou o facto de esta ser “uma raça do passado com futuro”, fazendo jus ao próprio slogan do evento.

Uma raça com passado, porque “para além de tudo, esta raça é a nossa raça, é a raça autóctone dos Açores, o que é relativamente um património muito importante, tanto genética como culturalmente, tal como nós vemos no nosso dia a dia, nas manifestações que fazemos das nossas culturas”, frisou o Diretor Regional.

Uma raça com futuro, de acordo com Fernando Sousa, “porque nós para além de querermos segurar a raça, no sentido de aumentarmos o número de animais existentes na região também queremos chegar a um outro patamar, nomeadamente através da carne”, como foi igualmente referido pelos outros técnicos que fizeram apresentações sobre a matéria.

O Diretor Regional explicou que a Raça Ramo Grande será sempre “acarinhada” pelo Governo Regional, pretendendo assim elevar esta raça autóctone para outros patamares.

“Temos que pensar na produtividade, mas não podemos esquecer a nossa entidade, e não esquecer a nossa entidade é realmente elevar a raça Ramo Grande, autóctone dos Açores, para outros patamares”, afirmou Fernando Sousa.

O Executivo regional implementou em 2013 o Programa de Conservação e Melhoramento Genético da Raça Ramo Grande, através da entidade gestora do Livro Genealógico, que assenta na realização de diversas ações sistematizadas, efetuadas por diferentes entidades, e que pressupõem sempre a colaboração dos criadores.

Neste evento que contou com a presença de criadores de várias ilhas, foi lançado a publicação da 1ª Avaliação Genética da Raça Bovina Ramo Grande, cujo prefácio foi escrito pelo Secretário Regional da Agricultura e Ambiente, Luís Neto Viveiros, e onde se pode ler que esta publicação pode ser “um ponto de partida para ações futuras, uma vez que o principal objetivo de um programa de melhoramento animal, por seleção, é permitir uma escolha eficaz dos animais com base no seu mérito genético”.

“O Ramo Grande tem enormes potencialidades” quanto à produção de carne
Já o especialista em genética animal, Luís Telo da Gama, também presente no evento, falou sobre seleção genética na raça bovina, sobre a conservação e sobre a certificação e a mais-valia na aposta da carne proveniente destes animais.

Quanto à parte da conservação da raça, o especialista salientou que é preciso “gerir a população de forma a evitar um aumento excessivo da consanguinidade”. No que diz respeito à parte da seleção, é preciso “tirar partido das características da raça e tentar melhorar aquilo que é importante”.

“Claro que as duas coisas interagem porque nós ao selecionarmos corremos o risco de aumentar a consanguinidade na população”, frisou o investigador, ressalvando que é preciso sempre ir controlando a situação.

De acordo com Luís Telo da Gama, à medida que a mecanização se foi afirmando, estes animais que inicialmente eram tido como animais de trabalho, “foram tendo outras funções”, nomeadamente produzir leite ou carne.

No caso particular do Ramo Grande “haverá sempre a utilização dos animais na parte mais cultural”, no entanto, na opinião do especialista em genética animal, “a maioria dos criadores terão esses animais não para esse fim mas para produzir carne”.

Luís Telo da Gama acredita que é preciso repensar um pouco como é que pode valorizar a produção de carne do Ramo Grande.
É preciso “tentar identificar onde é que ela difere das outras, o que é que ela tem de melhor e o que é que pode ter de menos bom, para tentar melhorar aquilo que não é bom e afirmar o que é melhor e certificá-la, de forma a diferenciá-la e valorizar a raça ”.

“O Ramo Grande tem enormes potencialidades nesse aspeto”, frisou Telo da gama, explicando ainda que “os Açores têm condições únicas para produzir leite ou carne e no segmento da produção de carne, o Ramo Grande tem uma palavra a dizer”.

Liliana Andrade/RL Açores

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