Retenções e extinção de cursos vocacionais: Região compreende medidas da República, mas não as aplica

O Secretário Regional da Educação e Cultura manifestou na sexta-feira, no Pico, uma “atitude de compreensão” com o anúncio pelo Governo da República da criação de tutores para acompanhamento dos estudantes que tenham duas retenções e da extinção dos cursos vocacionais.

Avelino Meneses, que falava aos jornalistas à margem da visita estatutária do Governo dos Açores, salientou a “atitude de diferença” da Região sobre estas matérias que, desde o início do ano letivo 2015/2016, através do ProSucesso – Açores pela Educação, possui uma estratégia própria.

“Em relação a uma e a outra questão, nós temos uma atitude de compreensão, mas uma atitude também de diferença”, frisou.

Para o Secretário Regional, relativamente aos tutores, é positivo que “os jovens que manifestem dificuldades na sua progressão estudantil tenham acompanhamento”.

Avelino Meneses acrescentou, no entanto, que, mais importante do que “ter tutores após duas retenções, o que importa é que haja tutores a prevenir”, salientando que é essa “a lógica do ProSucesso”, programa que disponibilizou neste ano letivo professores especializados em dificuldades de aprendizagem espalhados pelas diferentes unidades orgânicas do Sistema de Ensino Regional.

Estes docentes “tentam ‘à priori’ resolver problemas que possibilitam a transição dos alunos”, afirmou Avelino Meneses, admitindo porém que “a prevenção não vai resolver todos os problemas” e que, se “ela efetivamente não o resolver, teremos de pensar futuramente numa outra solução”.

Quanto aos cursos vocacionais, o titular da pasta da Educação afirmou que “devemos pugnar no sentido do percurso, dito regular, resolver o essencial da aprendizagem de todos os alunos”, existindo um tronco comum que “todos os alunos devem cumprir”.

Porém, adiantou Avelino Meneses, a partir da transição do Ciclo Básico para o Secundário, “deve haver a possibilidade da diversificação de vias pedagógicas”, no sentido de abarcar todos os alunos para que “todos tenham êxito, quer estejam num curso regular, quer estejam na via profissionalizante”.

“Essas vias profissionalizantes não podem jamais ser vistas como vias de segunda categoria relativamente às outras e deve haver entre essas vias a capacidade da mobilidade”, sublinhou.

“Não vamos suprimir de imediato os cursos vocacionais, porque são uma solução de fim de linha, de salvamento não de muitos mas, se calhar, de alguns estudantes que não têm uma outra solução”, frisou o Secretário Regional.

Avelino Meneses garantiu ainda que o departamento governamental que tutela vai estar “muito atento” aos cursos vocacionais, os quais “têm um grande perigo”, acrescentando que “muito prematuramente fazem uma diferenciação entre estudantes e, de certa forma, cortam as pernas a alguns que terão possibilidades de chegar a soluções, que ficam à partida interditas”.

GaCS/RL Açores

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