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Semana que antecede o Domingo de Espírito Santo envolve muito trabalho – na Beira ainda se cozem as obras e o pão para as sopas no lume de lenha

Semana que antecede o Domingo de Espírito Santo envolve muito trabalho – na Beira ainda se cozem as obras e o pão para as sopas no lume de lenha

Numa altura em que a maioria das pessoas opta por comprar o pão, a massa sovada e as rosquilhas na Padaria, na Beira, no concelho das Velas, há quem continue a optar por fazer tudo em casa, no forno de lenha.

A RL Açores acompanhou um dia de trabalho na casa da Imperadora do Espírito Santo da Beira no dia em que se cozeu o pão para as sopas do Espírito Santo e a Rosquilha das Obras.

 

 

O dia começa cedo em casa de Filomena Bettencourt, a Imperadora do Domingo de Espírito Santo no lugar da Beira, no concelho das Velas.

Passam pouco das sete da manhã e são horas de pôr, literalmente, as mãos na massa.

Aqui, ao longo da semana que antecedeu este Domingo do Espírito Santo, cozeu-se tudo no quente e tradicional forno de lenha que ainda é parte importante da casa de Filomena.

Uma prática que já não é muito comum hoje em dia, tendo em conta que a maior parte das pessoas opta pelas Padarias, mas aqui há gosto em cozer em casa e muito trabalho com alegria à mistura.

A primeira fornada de pão para as sopas do Espírito Santo, que são servidas ao longo deste domingo para todas as pessoas que apareçam pela Beira, vai para o forno e lá fica uma hora e meia até estar cozido.

Mas esse tempo de espera não é sinónimo de descanso. Há muito mais a fazer.

É tempo de as mulheres que auxiliam Filomena por estes dias se dedicarem às chamadas obras, ou seja, os pães e as rosquilhas que os cavaleiros mostram hoje na Ramada.

Aqui nada se faz por obrigação, ou gosta-se ou não se gosta, e também não há cá trocas com o Divino Espírito Santo.

Mas voltando às Obras e em concreto à Rosquilha que pode pesar entre 10 e 15 quilos há que tender a rosquilha depois da massa estar completamente lêveda.

E é aqui que começa a verdadeira linha de montagem.

A massa é esticada num tabuleiro pelas mulheres, depois tem que ficar uniforme. Quando está toda por igual há que fazer as dobras e embalar a massa, todas ao mesmo ritmo. Depois é feita a transição de um tabuleiro para o outro e a rosquilha ganha a devida forma.

Filomena, a Imperadora, não gosta que digam que é ela quem manda no forno e nas massas, mas verdade seja dita que quem a ajuda vê nela uma líder.

O forno de Filomena trabalha todo o ano mas nesta época do Espírito Santo ganha uma nova vida e trabalha o dia inteiro e a Imperadora continua a defender e continuará que cada freguesia deve sempre manter a sua tradição e honrar o verdadeiro significado do Divino Espírito Santo.

 

 

 

Liliana Andrade/RL Açores

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