Operação  No Namoro Não Há Guerra

Comemora-se hoje o Dia dos Namorados. Para assinalar esta data a Polícia de Segurança Pública (PSP) realiza a operação de sensibilização e informação à população escolar “No Namoro Não Há Guerra”, que decorre entre os dias 15 e 23 de fevereiro, reforçando o compromisso da prevenção da violência doméstica e, em particular, da violência no namoro.

 Esta operação tem como principal objetivo promover ações de sensibilização direcionadas para os jovens do 3.º ciclo do ensino básico e do ensino secundário (faixa etária dos 13 aos 18 anos), através dos Polícias afetos ao Programa Escola Segura (PES), subordinadas à temática da violência doméstica e no namoro.

O namoro encontra-se consolidado na doutrina como uma relação sentimental, afetiva, íntima e tendencialmente estável ou duradoura, ultrapassando a mera amizade ou relação fortuita, mesmo que ainda não esteja planeado um projeto de vida em comum.

A intervenção precoce é um dos princípios de atuação consagrado na legislação de menores em Portugal e, particularmente nesta matéria, são reconhecidos os efeitos negativos na formação da personalidade e referências sociais das crianças quando expostas à violência em ambiente familiar. A replicação desse comportamento em qualquer vínculo afetivo e, em concreto, nas relações de namoro, são um indício da necessidade de intervenção especializada. A violência não é tolerável, nem desculpável, mas quem agride precisa de ser ajudado.

A violência nas relações de namoro pode assumir as vertentes física, psicológica/emocional, social, sexual e económica. Injuriar, ameaçar, ofender, agredir, humilhar, perseguir ou devassar a intimidade são formas dessa violência. Verificam-se ainda alguns comportamentos, principalmente entre casais mais jovens, que também se traduzem em situações de violência. Não é aceitável que o(a) parceiro(a) queira controlar aquilo que o outro veste ou com quem se relaciona, nomeadamente o círculo de familiares/amigos e com quem socializa nas redes sociais.

Tanto as vítimas, como as pessoas que lhes são mais próximas, devem estar atentas a sinais de pressão constante para que se isolem do seu núcleo de família e amigos e vivam, cada vez mais, em função da vontade do agressor.

A predisposição das vítimas, bem como de testemunhas ou outros intervenientes, para denunciar este tipo de criminalidade, tem aumentado. Este fator tem sido crucial, na nossa visão, para diminuir as cifras de crimes não denunciados. As pessoas estão cada vez mais conscientes e sensibilizadas para este crime, contribuindo para que a PSP tenha um conhecimento mais célere de situações de violência e possa auxiliar a vítima numa fase mais precoce.

A PSP apela à denúncia da violência, quer seja no namoro ou em qualquer outro contexto.

As vítimas, testemunhas ou qualquer outra pessoa que tenha conhecimento da situação, devem apresentar queixa nas esquadras ou procurar ajuda junto das Equipas da Escola Segura (contexto escolar) ou das Equipas de Proteção e Apoio à Vítima.