“Telemedicina em São Jorge fará todo o sentido”, considera Paulo Sousa (c/áudio)

Decorreu na passada semana na ilha Terceira o primeiro Encontro de Telemedicina a nível regional e a Unidade de Saúde da Ilha (USI) de São Jorge marcou presença. Em entrevista à RL Açores, Paulo Sousa, o administrador da USI admitiu que a Telemedicina em São Jorge faz todo o sentido e explicou porquê.

De acordo com a definição dada pela Organização Mundial de Saúde, a Telemedicina é “a oferta de serviços ligados aos cuidados com a saúde, nos casos em que a distância é um fator crítico, ampliando a assistência e também a cobertura e, assim sendo, de acordo com Paulo Sousa, “a distância aplica-se perfeitamente a São Jorge”, que na opinião do administrador acaba por ser uma ilha “isolada” ao que tudo se torna mais complicado não sendo uma ilha com Hospital, como tantas outras na região.

“Daí dizer que a Telemedicina fará todo o sentido, e fará sentido na medida em que irá melhorar a acessibilidade dos utentes de São Jorge a consultas de especialidades e irá também diminuir o tempo de resposta” a essas mesmas consultas, avançou Paulo Sousa.

Com isto, o administrador deixa claro que não se pretende dar a entender que a Telemedicina vá resolver todos os problemas a nível de saúde na ilha, “mas poderá contribuir para a melhoria dos cuidados de saúde em São Jorge”. Paulo Sousa adianta ainda que a Telemedcina não pretende igualmente substituir os médicos especialistas, “mas entre esperar seis meses ou mais por uma consulta e ter uma resposta mais rápida para um problema de saúde do utente, é preferível ter essa resposta mais rápida”.

O processo da implementação da Telemedicina ocorre lentamente. Em São Jorge, começou-se em 2010.

“Em São Jorge já tivemos utentes que tiveram contacto com Telemedicina. Em 2010 começaram as primeiras consultas entre os médicos de São Jorge com utentes de São Jorge na especialidade de Nefrologia com o Hospital de Santo Espírito da ilha Terceira”, fez saber Paulo Sousa, acrescentando que “não foram efetuadas muitas consultas”, sendo que ao longo destes cinco anos foram efetuadas cerca de 20 consultas”, tendo, no entanto existido já “alguma Telemedicina reprogramada em São Jorge”.

A Telemedicina não é estranha para os médicos a trabalhar na ilha, no sentido em que a usam no dia-a-dia no que toca a evacuações médicas, por exemplo.

De acordo com Paulo Sousa, “há aqui uma outra Telemedicina que ocorre entre os médicos de São Jorge com médicos de Hospitais”, nomeadamente no que respeita a alguns exames realizados, e “os médicos de cá recorrem aos médico dos Hospitais para ajudar no diagnóstico”.

Assim sendo, “há uma Telemedicina não programada, mas há Telemedicina em São Jorge, que ocorre mais no Serviço de Atendimento Permanente, ou seja, em situações urgentes em que muitas vezes há que tomar a decisão de evacuar ou não evacuar”.

Neste momento já existem médicos especialistas disponíveis para consultas de Telemedicina, nomeadamente e para já nas áreas de Dermatologia, Endocrinologia e Urologia.

Paulo Sousa adianta ainda que a USI de São Jorge já desafiou o Hospital de Santo Espirito “para que os médicos do Hospital, aqueles que queiram, possam também recorrer à Telemedicina”, o que, segundo o administrador, irá facilitar o seguimento de muitos utentes, “evitando-se assim deslocações de utentes para fora da ilha”.

Liliana Andrade/RL Açores

Fotografia: ©Direitos Reservados

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