Comissão da Juventude da CCIAH defende reforço da rede hospitalar regional e alerta para riscos de centralização da saúde nos Açores

A Comissão da Juventude da Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) emitiu um parecer sobre o debate em torno da eventual criação de um Hospital Central e Universitário nos Açores, considerando que esta é uma decisão estratégica com implicações que vão muito além da organização dos cuidados de saúde.

No documento, remetido aos Órgãos Sociais da CCIAH, Secretária Regional da Saúde, Presidente e Vice-presidente do Governo Regional dos Açores, a Comissão sublinha que qualquer reforma estrutural do Serviço Regional de Saúde deve ser analisada, também, à luz dos seus impactos na coesão territorial, na fixação de talento, na formação avançada, na atração de profissionais qualificados, na competitividade económica e na sustentabilidade demográfica do arquipélago.

A Comissão considera que “a qualidade, a acessibilidade e a proximidade dos cuidados de saúde constituem fatores determinantes na decisão de permanência dos jovens em qualquer território. A perceção de segurança associada à existência de uma rede de saúde eficaz influencia diretamente os projetos de vida individuais e familiares, bem como a capacidade das comunidades de atrair e reter população ativa”. Neste sentido, a Comissão reconhece a importância de reforçar a formação médica, a investigação clínica e a capacidade científica da Região, mas considera que estes objetivos não exigem necessariamente a adoção de um modelo excessivamente centralizado de organização hospitalar.

Entre os principais riscos identificados pela Comissão encontram-se a concentração progressiva de recursos humanos especializados numa única unidade hospitalar, a fragilização da capacidade de resposta das restantes estruturas do Serviço Regional de Saúde, o agravamento das assimetrias territoriais e o aumento da dependência de deslocações interilhas para acesso a cuidados diferenciados.

O documento destaca, ainda, que a realidade arquipelágica dos Açores exige uma abordagem assente em critérios de redundância, proximidade e resiliência operacional, lembrando que acontecimentos recentes demonstraram a importância de existirem capacidades hospitalares distribuídas por várias ilhas.

Como alternativa, a Comissão da Juventude defende o aprofundamento de um modelo de rede hospitalar integrada, baseado na complementaridade entre os hospitais de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta, articulados através de redes formais de referenciação clínica. Este modelo permitiria compatibilizar diferenciação técnica, eficiência e proximidade dos cuidados, preservando simultaneamente a coesão territorial da Região.

No âmbito das recomendações apresentadas, a Comissão propõe a realização de um estudo técnico independente sobre os impactos da eventual criação de um Hospital Central e Universitário, o reforço das redes de referenciação hospitalar, a valorização da formação médica nos três hospitais regionais, o desenvolvimento de projetos de investigação clínica multicêntrica e o investimento em soluções de telemedicina e colaboração clínica digital.

A Comissão recomenda ainda que qualquer decisão futura resulte de um processo de planeamento estratégico sustentado em evidência técnica e num debate público alargado, envolvendo profissionais de saúde, instituições académicas, organizações empresariais, autarquias e representantes da sociedade civil.

Para a Comissão da Juventude da CCIAH, o futuro da saúde nos Açores deve assentar numa visão capaz de combinar inovação, diferenciação clínica e investigação com acessibilidade, proximidade e desenvolvimento equilibrado de todas as ilhas.

RL/CCIAH