Açores assumem Presidência do Comité Executivo da RAEGE em 2026

Os Açores vão assumir em 2026, e pela primeira vez, a Presidência do Comité Executivo da Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais (RAEGE), adianta o Secretário Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, que marcou presença, por via digital, numa reunião da entidade.

“Esta decisão marca um momento histórico para a cooperação científica entre Portugal e Espanha, reforçando o papel estratégico dos Açores no desenvolvimento de projetos internacionais de geodesia e observação espacial”, sustenta o governante.

O Comité Executivo consiste num órgão que estabelece as diretrizes de gestão e administração da RAEGE e controla as respetivas atividades, sendo composto por seis membros, três nomeados pelo Instituto Geográfico Nacional de Espanha e três nomeados pelo Governo Regional dos Açores.

Desde a sua criação que a presidência deste órgão tem vindo a ser assumida pela parte espanhola. No entanto, em reunião do Comité Executivo ocorrida hoje, foi deliberado, por unanimidade, que a presidência para 2026 ficasse entregue aos Açores.

O projeto RAEGE começou em 2010 com a assinatura de um memorando de entendimento entre o Governo de Espanha e o Governo dos Açores para a construção, instalação e exploração de quatro Estações Geodésicas Fundamentais: duas em Espanha (Yebes e Gran Canária) e duas nos Açores (Santa Maria e Flores).

Todos os equipamentos do projeto RAEGE fornecem uma infraestrutura geodésica necessária para uma monitorização do planeta terrestre capaz de fornecer dados de alta precisão para a comunidade científica, que permitam quantificar as mudanças no espaço e no tempo do nosso planeta. As observações permitem mapear e monitorizar as mudanças na forma, rotação e distribuição de massa da Terra, contribuindo para a atualização dos referenciais terrestes internacionais e assim ser possível estudar questões de relevo como as associadas às alterações climáticas ou estimativas na variação do nível médio das águas do mar.

A RAEGE compreende ainda dois centros de base, um sediado em Yebes e outro em São Miguel, cada qual com a missão de assegurar o funcionamento operativo das EGF localizadas nos respetivos territórios, a manutenção e desenvolvimento dos equipamentos, instalações e infraestruturas correspondentes.

RL/GRA/ foto@JF