Análises às águas no Porto da Madalena não detetam qualquer problema microbiológico relacionado com a concentração de ‘sargaço’

 

Os resultados das análises às águas do mar no Porto da Madalena do Pico, que foram mandadas efetuar pela empresa pública Portos dos Açores, S.A., na sequência da concentração anormal de ‘sargaço’ que ali se verifica desde o último trimestre de 2015, indicam que tais águas estão próprias “para banhos com base nos parâmetros microbiológicos”.

Está assim afastada a suspeita de contaminação das águas no interior daquela infraestrutura portuária onde, como havia sucedido pela última vez há já mais de cinco anos, se têm registado quantidades anómalas de macroalgas conhecidas como sargaço e que têm vindo a ser recolhidas com meios contratados pela administração portuária e com o apoio de outros organismos públicos.

A colheita de amostras daquelas águas para análise ocorreu no passado dia 8 de janeiro, no ‘Porto Velho’ da Madalena, tendo sido promovida pela empresa EcoServiços – Gestão de Sistemas Ecológicos, ficando os testes de laboratório a cargo da Agroleico Açores – Laboratório de Análises Químicas e Bacteriológicas, o qual é acreditado pelo Instituto Português de Acreditação.

Com base nas amostras recolhidas foram analisados diferentes variáveis, através do método de filtração por membrana, sendo os resultados apurados mais de dez vezes inferiores aos valores limite dos parâmetros microbiológicos estabelecidos, nos termos da legislação relativa à gestão da qualidade das águas balneares.

Apesar disso, a Portos dos Açores, S.A. pretende monitorizar a qualidade das águas, com uma periodicidade mensal, para os parâmetros físico-químicos, a fim de serem controlados os níveis de matéria orgânica em decomposição no mar daquele mesmo local, certificando-se que os resultados agora apurados se mantêm e que as águas estão em níveis seguros.

A concentração de ‘sargaço’ junto às orlas marítimas resulta da conjugação das alterações climatéricas e consequentes desequilíbrios nos ecossistemas marinhos com o abandono da prática de recolha destas algas por parte de muitas famílias, para posterior venda e/ou utilização na fertilização dos solos. No entanto, o seu crescimento desmesurado está, por norma, relacionado com o excesso de nutrientes presentes na água, em face da matéria orgânica em decomposição, o que serve como principal alimento para as próprias algas, que aproveitando-se desse excesso de nutrientes e de iluminação proliferam abundantemente.

É de notar que está, por outro lado, a ser preparada a realização de análises à qualidade do ar na zona afetada, que foi contratualizada à SGS e cujo trabalho de campo deverá ocorrer no Porto da Madalena esta semana, implicando a vinda específica para os Açores de equipamentos técnicos que não existem no arquipélago.

GI Potos dos Açores/RL Açores

Imagem: ©Porto da Madalena

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