Interdição da pesca do goraz é medida de gestão inteligente de quota, afirma Brito e Abreu

O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia afirmou, em Ponta Delgada, que não se deve associar a interdição da pesca do goraz nos Açores à gestão ecológica do ‘stock’ desta pescaria, frisando que se trata de uma “medida de gestão inteligente” de quota.

“Temos capacidade para pescar mais goraz do que a quota que nos foi imposta este ano”, salientou Fausto Brito e Abreu, reiterando que a interdição desta pescaria durante a segunda quinzena de julho é uma medida que permite reservar possibilidades de pesca para quando o preço em lota é mais elevado.

Brito e Abreu falava sexta-feira no final de uma reunião com a cooperativa de pescadores Porto de Abrigo onde foi discutida a interdição da pesca do goraz em vigor até ao final do mês, o futuro período de defeso desta espécie e a divisão da quota por ilhas.

Relativamente à interdição da pesca do goraz nos Açores entre 15 a 31 de julho, o Secretário Regional recordou que “a segunda quinzena de julho, historicamente, é o período do segundo semestre em que o preço do goraz em lota é mais baixo”.

Brito e Abreu frisou que, apesar da discordância da Porto de Abrigo, “várias associações do setor concordaram com a medida de interrupção desta pescaria, que teve também o apoio da Federação das Pescas dos Açores”.

Por outro lado, recordou que o Governo dos Açores, durante as negociações sobre a quota do goraz, em Bruxelas, defendeu que os dados científicos atuais e medidas políticas como a introdução de tamanhos mínimos de captura, a criação de período de defeso e as restrições ao uso do palangre dentro das três milhas “eram suficientes para manter a sustentabilidade desta pescaria, sem necessidade de um corte superior a 10%”.

Nesse sentido, o governante rejeitou a expressão “paragem biológica”, utilizada pela cooperativa, considerando que “poderá levar a um corte da quota ainda maior na pescaria do goraz no futuro”.

O Secretário Regional do Mar afirmou ainda que, ao contrário do que tem sido veiculado por algumas associações do setor, “não está em vigor nenhum sistema de distribuição de quota de captura de goraz por ilha”.

“Desde dezembro de 2012 os pescadores açorianos têm estado a pescar para ‘o monte’”, afirmou, salientando que “não estão atribuídos valores de captura por ilha”.

Brito e Abreu salientou que, em janeiro, o Governo dos Açores propôs às associações do setor a reintrodução de uma quota por ilha, “como medida de autorregulação”, recordando que a proposta “não teve acolhimento por parte da grande maioria dos pescadores”, tendo o Executivo obtido respostas apenas de duas associações.

No Conselho Regional das Pescas, a 30 de abril, o tema voltou a estar em cima da mesa, mas “a proposta apresentada não gerou consenso”, afirmou, acrescentando que nessa data “a Federação das Pescas dos Açores disponibilizou-se para apresentar uma proposta sobre a divisão de quota por ilhas”.

O Secretário Regional do Mar refutou também as alegações de que a interdição de pesca do goraz obrigue à paragem dos barcos, frisando que “podem diversificar a sua atividade para outras pescarias e outras artes”.

GaCS/RL Açores

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