Navio para ligação S. Miguel/Santa Maria seria opção “desenquadrada da integração global do transporte marítimo regional”, afirma Vítor Fraga 

O Secretário Regional do Turismo e Transportes afirmou, na Horta, que a proposta do PCP para a aquisição de um navio de transporte de passageiros, viaturas e carga para operação anual entre S. Miguel e Santa Maria é uma iniciativa avulsa e desenquadrada da integração global das ligações marítimas regionais, além de ser dispendiosa e fora de contexto no transporte de passageiros, sobretudo sazonal, no Grupo Oriental.

Vítor Fraga, numa intervenção terça-feira na Assembleia Legislativa, salientou que o Governo dos Açores considera que o transporte marítimo de passageiros e viaturas é fundamental para a Região, mas numa perspetiva de “integração global na oferta de transportes” no arquipélago, pelo que deve ser encarado “integrando os vários subsistemas existentes, nomeadamente no que se refere ao tráfego local”.

Nesse sentido, frisou que a proposta do PCP não é complementar e assume-se como concorrencial face ao que já existe e que é desenvolvido por entidades privadas, nomeadamente a empresa que faz o transporte de carga entre S. Miguel e Santa Maria.

“O entendimento do Governo é que o transporte marítimo na Região deve ser feito não com medidas como estas, avulsas, mas deve ser feito numa perspetiva global”, afirmou Vítor Fraga, destacando que não está em causa a ligação entre S. Miguel e Santa Maria.

“Na lógica da aquisição dos dois novos navios para o desenvolvimento do tráfego marítimo entre todas as ilhas, Santa Maria faz parte do sistema, está integrada no sistema e naturalmente que será servida com regularidade, tanto ao nível de passageiros como de carga rodada, apresentando-se assim como um complemento à oferta existente”, afirmou o titular da pasta dos Transportes.

Numa referência às estatísticas e à oferta atual que existe de transportes marítimos para Santa Maria, o Secretário Regional frisou que há uma concentração de 80% do tráfego de passageiros nos meses de julho e agosto, o que dá mostra do caráter sazonal da operação.

“O objetivo de todos nós é atenuar os efeitos da sazonalidade e aquilo que esperamos é que possa vir a haver, no futuro, um incremento de procura que possa dinamizar”, acrescentou.

Vítor Fraga sublinhou ainda que, para garantir conforto numa viagem com as caraterísticas da existente entre S. Miguel e Santa Maria, seria necessário adquirir uma embarcação com uma determinada dimensão, caso contrário não seria apelativa para os viajantes.

“Não é preciso fazer grandes cálculos para perceber que se necessitamos de dois navios para fazer a ligação entre todas as ilhas, se tivermos mais um, o custo dessa ligação ainda vai aumentar mais”, salientou Vítor Fraga.

“Estaríamos a duplicar recursos perante aquilo que é o objetivo da dinamização do transporte marítimo interilhas, com dois objetivos claros: por um lado, aumentar a mobilidade dos Açorianos e, por outro lado, garantir o desenvolvimento do mercado interno”, acrescentou.

Vítor Fraga lembrou que não é a primeira vez que esta proposta surge em plenário, afirmando que a iniciativa do PCP “é uma cópia daquilo que apresentou em 2013, nem a atualização da estatística do tráfego de passageiros foi efetuada”.

“É uma proposta avulsa que em nada irá contribuir, por um lado para a melhoria do transporte marítimo interilhas e a dinamização do mercado interno que se pretende e, por outro, para a boa gestão dos recursos públicos”, afirmou Vítor Fraga.

GaCS/RL Açores

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