O setor do turismo enfrenta nos Açores desafios significativos, com a redução das ligações aéreas, o aumento dos preços das passagens e a falta de mão de obra qualificada, a condicionarem a atividade das empresas, a capacidade de atração turística e a mobilidade dos residentes.
Estas preocupações foram transmitidas aos deputados do PS/Açores durante uma reunião realizada com a delegação da AHRESP nos Açores, onde foram identificados os principais constrangimentos que atualmente afetam o setor, com claro destaque para os problemas com a conectividade aérea.
O deputado do PS/Açores recorda que o Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas foi aprovado pelo Parlamento Regional em maio, com carácter de urgência, tendo sido publicado a 18 de junho.
“A Ryanair saiu dos Açores em março e já passaram quase três meses desde a aprovação do Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas. Perante a aproximação da época baixa, é preocupante que não sejam conhecidas soluções concretas para reforçar as ligações aéreas da Região”, critica Carlos Silva.
A redução significativa do número de turistas provenientes do mercado nacional, um dos principais mercados emissores para os Açores, assume particular preocupação. Para Carlos Silva, esta quebra está relacionada, entre outros fatores, com o aumento dos preços das passagens aéreas, com preços superiores a 700 euros, que tornam a Região menos competitiva enquanto destino turístico e condicionam também as deslocações dos residentes.
Nos primeiros sete meses deste ano, desembarcaram nos Açores menos 102 mil passageiros, registando-se perdas em todos os meses face ao ano anterior. Só na ilha de São Miguel, a redução ultrapassa os 76 mil passageiros, cerca de 10%.
Perante esta realidade, Carlos Silva considera que “é urgente captar mais companhias aéreas para operar durante todo o ano. Precisamos de mais oferta e de preços mais competitivos para recuperar turistas, nomeadamente do mercado nacional, dar maior estabilidade ao setor e melhorar as condições de mobilidade dos residentes”, defende.
A par das dificuldades nas ligações aéreas, o setor enfrenta também uma significativa falta de mão de obra qualificada, que, segundo Carlos Silva, está relacionada com a reduzida oferta formativa existente e com a dificuldade em atrair e fixar trabalhadores na Região, nomeadamente devido à falta de alojamento a preços acessíveis.
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