Resultado da governação socialista no turismo e transportes é “PIT – Poucochinho, Ilusório e Tendencioso”, critica Graça Silveira

A Vice-presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP Açores, Graça Silveira, afirmou, na noite desta quarta-feira, que o resultado da governação regional socialista nas áreas do turismo e transportes “seja PIT – Poucochinho, Ilusório e Tendencioso”.

Numa intervenção, no Parlamento dos Açores, no âmbito da análise às propostas de Plano e Orçamento para 2016, Graça Silveira salientou a importância do setor do turismo para a economia regional (pois “representa cerca de 40% das nossas exportações, fazendo entrar na Região, sensivelmente, de 140 milhões de euros por ano, sendo a única indústria com verdadeiro potencial de crescimento, para os próximos anos”), mas lamentou a falta visão para garantir a sua sustentabilidade.

“Estamos perante uma galinha dos ovos de ouro. Por isso, as potencialidades turísticas dos Açores devem, e tem que ser bem planeadas, e bem promovidas, sob pena de o efeito low cost se desvanecer, mesmo antes de ter um efeito impulsionador do turismo em todas as ilhas dos Açores. A criação duma secretaria do turismo e transportes e a entrada em vigor do novo modelo de acessibilidades, criaram expectativas quanto a uma forte aposta no turismo, que se tem revelado bem mais mediática do que efetiva”, disse.

Justificando, a parlamentar popular registou que “na hotelaria não conseguimos descolar duma taxa de ocupação anual média de 42%”, considerando que este “é o preço da falta de visão quanto ao desenvolvimento da nossa oferta, quer em termos de sobredimensionamento do número de camas, quer por falta de qualificação da oferta”.

Quanto à captação de mercados emissores, apontou Graça Silveira, “a concorrência é cada vez mais agressiva, os meios são caros, os recursos escassos e o produto ‘Açores’ pouco conhecido. Nem com uma estrutura altamente profissionalizada, com grande experiência no mercado, este seria um processo fácil. Sem ela, é simplesmente impossível. Infelizmente, temos uma longa história de promoção do destino Açores mal conduzida, mal explicada e mal conseguida. Gastaram-se milhões em campanhas publicitárias generalistas, em grandes mercados emissores, as quais, em termos de notoriedade, tiveram um impacto praticamente nulo”.

Assim, concluiu, “continuar a insistir nesta estratégia de promoção é, no mínimo, irresponsável”, defendendo que “os Açores nunca serão um destino de massas, mas tem tudo, para serem bem sucedidos em nichos de mercado”, mas, frisou, “isso exige um trabalho sério, de identificação dos público-alvo para os diferentes produtos que a Região oferece, e que devem ser trabalhados de forma direcionada”.

Porém, acrescentou a Vice-presidente da bancada parlamentar democrata-cristã, “a verdade é que mesmo quando se esboçam algumas tentativas de definir uma nova estratégia, constatamos que as opções políticas, não têm a necessária correspondência em termos de dotação orçamental. O Plano para 2016, é mais do mesmo: 10 M€ para pagar as operações dos destinos emissores; 10 M€ para a Associação do Turismo dos Açores, para o Observatório do Turismo e Escola Hoteleira de Turismo; e para a verdadeira qualificação e valorização da oferta, como seja o Plano Integrado das Fajãs de São Jorge, temos uns míseros 100 mil euros que, de resto, já tinha recebido dotação em 2015, e nada se fez”

Açorianos vão pagar “prepotência” nos barcos

Relativamente aos transportes, em particular aos marítimos, Graça Silveira afirmou que “passados 4,4 milhões de euros o tão famoso PIT – Plano Integrado de Transportes – não consegue articular os horários da chegada da SATA ao Faial, com os da partida dos barcos para o Pico”, lamentando que “com a entrada em funcionamento dos novos barcos, e ao contrário dos compromissos púbicos assumidos, o número de ligações diárias entre o Faial e o Pico diminuiu”, facto que já era expectável “já que a operação destes barcos é grosseiramente deficitária”.

Apesar disso, prosseguiu, “insiste-se na aquisição de mais dois ferries que vão custar 85 milhões à Região e que, de resto, ninguém quer construir, já que os concursos para a sua construção acabam por ficar desertos. Aliás, e a este respeito, seria importante perceber para que são efetivamente os 4,4 milhões de euros, destinados supostamente à aquisição dos tais novos ferries, uma vez que a União Europeia ainda nem sequer validou o projeto para a sua construção. Infelizmente, os resultados desta prepotência velada, mas arrogante, serão uma vez mais pagos com o dinheiro dos Açorianos”.

GI CDS-PP Açores/RL Açores

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