IL defende abertura das ligações aéreas interilhas a novas companhias

O Deputado da Iniciativa Liberal (IL) no Parlamento dos Açores, Pedro Ferreira, defende que “está na altura” de se começar a “pensar e estruturar” um caderno de encargos para as próximas Obrigações de Serviço Público (OSP) das ligações aéreas interilhas, que permita a entrada de mais companhias, “promovendo a concorrência” que vai fazer bem à SATA.

Após uma reunião com a Direção da Aerogare Civil das Lajes, na infraestrutura aeroportuária da ilha Terceira, o parlamentar liberal apontou ainda à “complementaridade” entre aeroportos, nomeadamente no que toca às ilhas de São Miguel e Terceira.

Para Pedro Ferreira “se, por exemplo, entrar uma nova companhia, para além da SATA Air Açores, numa ligação como Terceira/Ponta Delgada ou Ponta Delgada/Pico, para referir as que têm maior procura, nós podemos libertar a SATA Air Açores para fazer o reforço necessário às outras ilhas e temos aqui duas companhias a trabalhar num regime de serviço público que melhor a qualidade do serviço”.

Isto porque, acrescentam os liberais, “o que está a acontecer, neste momento, não é só péssimo para os Açorianos, que estão dependentes da SATA (e a SATA, coitada, não consegue dar resposta a tantas solicitações e perante tantos imprevistos), mas é péssimo para o turismo. Constantemente, um turista que tem uma ligação para outra ilha, que está sujeito a um atraso, a um cancelamento, à perda de uma ligação, não volta mais aos Açores. E se nós praticamos serviços de má qualidade, no futuro, não vamos ter turismo de qualidade”.

Assim, referiu Pedro Ferreira, “estruturando bem o caderno de encargos, há companhias interessadas em entrar no circuito interilhas e esse é um pensamento que devemos ter, seriamente, para melhorar não só a prestação de serviços aos Açorianos, mas também dando uma resposta de maior qualidade aos turistas”.

Por outro lado, o Deputado da IL preconiza “um modelo de complementaridade entre os aeroportos de São Miguel e Terceira” e assume que a Aerogare Civil das Lajes se deve assumir como “entidade responsável pela captação de rotas e fluxos turísticos para a Terceira, Graciosa e São Jorge”, articulando “todo o trabalho que é preciso fazer na fileira do turismo”.

Pedro Ferreira, que disse ter saído da reunião com o Diretor da Aerogare “com esperança no futuro” pelo trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, sublinhou, porém, que, a última palavra, “é sempre das companhias aéreas”.

Para Pedro Ferreira, “os aeroportos das Lajes e de Ponta Delgada são alternantes e devem ser complementares”, até porque, “neste momento, o aeroporto de Ponta Delgada já está com condicionamentos devido à falta de capacidade para receber mais rotas e mais passageiros. Assim, a Terceira tem de ser complementar”.

Todavia, para além dessa complementaridade, os liberais entendem que “a Aerogare Civil das Lajes, pelas características que tem, sob o ponto de vista do seu funcionamento, administração e tutela, deve, em parceria com a Câmara de Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo, com as Câmaras Municipais de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória e, eventualmente até, como porta de entrada para as ilhas mais próximas, Graciosa e São Jorge, também com os municípios destas ilhas, assumir-se como uma entidade com capacidade e autonomia para ser a responsável pela captação de rotas e de fluxos para a Terceira e para as ilhas do Grupo Central”.

No entanto, explica o Deputado, “mais do que captar rotas e fluxos turísticos é preciso que se faça um trabalho em toda a fileira turística para que as companhias aéreas se sintam atraídas a viajar para a Terceira. Não é só chegar ao pé das companhias e dar-lhes incentivos financeiros para virem para cá, porque se fosse assim tínhamos cá muitas. Para que, nas Lajes, possam aterrar mais aeronaves, é preciso que todo o setor esteja estruturado e alinhado e há algumas dificuldades que se vão sentindo, desde a hotelaria, aos rent-a-car, à restauração e a outros serviços”.

O Deputado da IL acentuou ainda que “as companhias aéreas não voam para a Terceira não é porque se leva tudo para São Miguel, é porque elas só abrem rotas para onde há histórico de mercado: se nunca houve histórico nas Lajes, para além da SATA e da TAP, é difícil que uma nova companhia ache que esse destino é atrativo. Portanto é preciso um trabalho que tem vindo a ser feito, de muita insistência, para que consigamos ter novas rotas na Terceira. Estas novas rotas vão ter de entrar sempre no verão, porque as companhias vêm quando têm menos riscos. Se correr bem, podem ir aumentando a sua operação para os meses de primavera e outono”.

Relativamente ao projeto de ampliação da Aerogare Civil das Lajes, Pedro Ferreira reconheceu a complexidade técnica da obra e diz esperar que estejam asseguradas pela Região as devidas necessidades de financiamento. O parlamentar liberal elogiou o “trabalho extraordinário que foi feito pela direção da Aerogare na revisão do projeto”.

RL/IL