José Manuel Bolieiro destaca “papel estratégico dos Açores” na segurança e defesa do Atlântico

O Presidente do Governo dos Açores afirmou que os Açores assumem uma posição geoestratégica determinante no atual contexto internacional, defendendo uma articulação estreita entre políticas de segurança, defesa e coesão territorial.

A intervenção ocorreu na sessão solene de abertura do 9.º Curso Intensivo de Segurança e Defesa (CISEDE), promovido pelo Instituto da Defesa Nacional, que volta a realizar-se na Região.

Para José Manuel Bolieiro, o regresso do curso aos Açores “não será, certamente, uma coincidência”, refletindo o sucesso das edições anteriores e a importância estratégica da Região.

O líder do executivo açoriano enquadrou o curso num momento de profundas mudanças geopolíticas, afirmando que “o Atlântico volta a ser um eixo estratégico decisivo para o equilíbrio global”, e sublinhou que o Atlântico Norte concentra hoje rotas marítimas e aéreas essenciais, infraestruturas críticas e dinâmicas de projeção de forças, sendo igualmente um espaço de crescente competição entre grandes potências.

Referindo-se ao contexto transatlântico, o Presidente do Governo salientou que, apesar de os Estados Unidos continuarem a ser “o pilar central da defesa coletiva ocidental”, é necessário que a Europa assuma maior responsabilidade pela sua própria segurança.

Para os Açores, considerou que este contexto representa uma oportunidade estratégica, sublinhando que a Região não é “uma periferia remota da Europa”, mas antes “um centro de gravidade entre a Europa, a América e África”. Nesse quadro, destacou o papel da Base das Lajes, afirmando que “é muito mais do que uma infraestrutura militar”, constituindo um ativo central em cenários de apoio logístico, patrulhamento marítimo e resposta a crises no Atlântico.

O governante defendeu ainda a importância de investimentos com dupla utilização, militar e civil, apontando áreas como a modernização dos portos, o reforço da vigilância marítima, o desenvolvimento de capacidades espaciais em Santa Maria e a expansão das comunicações seguras.

O José Manuel Bolieiro sublinhou que a coesão territorial deve ser encarada como um pilar da segurança, alertando que territórios com fraca conectividade e poucas oportunidades económicas se tornam mais vulneráveis.

O Presidente do Governo considerou que os Açores podem ser um exemplo de coerência entre discurso e ação no quadro europeu, defendendo que “a segurança da Europa começa muito para lá do seu continente”.

Citando Vitorino Nemésio, José Manuel Bolieiro recordou que, nos Açores, “a geografia vale outro tanto como a história”, concluindo que o futuro exigirá ambição, cooperação e compromisso estratégico.

RL/GRA