O eurodeputado social‑democrata Paulo do Nascimento Cabral apelou, em Estrasburgo, a uma mudança estrutural na forma como a Europa encara o trabalho de cuidado, sublinhando que é urgente “cuidar de quem cuida”. A intervenção ocorreu durante o debate sobre a disparidade de género na prestação de cuidados na Sessão Plenária do Parlamento Europeu.
Cabral destacou que “os cuidados são um bem coletivo e não uma responsabilidade privada”, lembrando que 80% dos cuidados informais na União Europeia continuam a ser assegurados por mulheres, muitas vezes por falta de alternativas. Essa realidade, afirmou, traduz‑se em salários mais baixos, pensões reduzidas e maior dependência económica, o que representa um obstáculo à igualdade e à coesão social.
O eurodeputado defendeu que tanto os cuidadores informais como os profissionais precisam de reconhecimento, formação, proteção social e condições de trabalho dignas. Sublinhou ainda a importância de aplicar de forma efetiva a Diretiva da Conciliação entre Vida Profissional e Familiar, incluindo licenças parentais que promovam uma partilha real das responsabilidades.
Com particular atenção às regiões mais isoladas, Cabral lembrou que a dispersão geográfica exige respostas locais adaptadas, apontando como exemplo o programa açoriano “Novos Idosos”, que permite que pessoas mais velhas permaneçam nas suas casas, junto das famílias, com apoio direto e dignidade.
O eurodeputado reconheceu também a importância dos cuidados institucionais, mas alertou para a sua escassez e distância das comunidades. Defendeu que quem cuida deve ter direitos garantidos, e quem é cuidado deve poder escolher permanecer no seu ambiente familiar, apoiado por profissionais qualificados e justamente remunerados.
Paulo do Nascimento Cabral encerrou a intervenção com um apelo claro: “Precisamos de respostas concretas. É isto que exigimos. É isto que a Europa deve garantir.”
RL/GEPNC






















