O eurodeputado socialista André Franqueira Rodrigues alertou, no Parlamento Europeu, que a crise dos fertilizantes “já não é apenas um problema dos agricultores”, mas uma ameaça direta ao preço dos alimentos suportado pelas famílias europeias.
Durante o debate em plenário, em Estrasburgo, sobre o Plano de Ação para os Fertilizantes apresentado pela Comissão Europeia, o parlamentar português defendeu que Bruxelas deve avançar com financiamento europeu, mecanismos de crise e uma resposta coordenada para travar a escalada de custos que já está a refletir‑se no cabaz alimentar.
“Fertilizantes inacessíveis hoje significam menos produção, menos rendimento agrícola e comida mais cara amanhã”, afirmou, dirigindo‑se ao comissário europeu da Agricultura, Christophe Hansen.
Franqueira Rodrigues recordou que a União Europeia importa cerca de 30% dos fertilizantes azotados e 70% dos fosfatados, o que deixa o setor exposto a choques internacionais e a perturbações nas cadeias de abastecimento. Em Portugal, exemplificou, o preço da ureia duplicou — de 450 para 900 euros por tonelada — e produtores de milho relatam aumentos de custos que podem atingir 300 euros por hectare.
O eurodeputado considerou positivas as propostas da Comissão para reforçar a produção europeia, promover a reciclagem de nutrientes e incentivar o uso de fertilizantes orgânicos e de baixo carbono. No entanto, advertiu que estas medidas “não podem ficar apenas numa estratégia para o futuro”.
Franqueira Rodrigues lembrou ainda que, há mais de um mês, os socialistas na Comissão da Agricultura questionaram formalmente Bruxelas sobre medidas concretas para responder ao aumento dos custos dos combustíveis, da energia e dos fertilizantes.
Para o eurodeputado, a resposta europeia não pode limitar‑se a transferir responsabilidades para os Estados‑Membros, sob pena de agravar desigualdades entre agricultores e aumentar a vulnerabilidade do setor.
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