Luís Neto Viveiros afirma que a caça pode complementar a oferta de turismo nos Açores 

O Secretário Regional da Agricultura e Ambiente afirmou este sábado, na sessão de encerramento do encontro Gestão do Coelho Bravo nos Açores, que a caça pode constituir um complemento à oferta turística na Região.

“Ao nível do desenvolvimento rural e económico da Região, o setor cinegético tem potencial para ser gerador de riqueza, funcionando como complemento ao turismo rural e ao ecoturismo”, destacou Luís Neto Viveiros, no Centro de Divulgação Florestal do Pinhal da Paz, em S. Miguel.

Segundo o Secretário Regional, esse é “um desafio que se coloca” aos “decisores políticos, associações e empreendedores privados” para que, acrescentou, “a exploração sustentada” dos recursos cinegéticos constitua “uma nova fonte de negócios”, além do lazer e do convívio que proporciona e “de ser um fator de controlo de densidades populacionais com benefícios para a agricultura”.

“Apostando numa oferta mais profissionalizada, na reflexão sobre a gestão e exploração territorial da caça e em marketing, entre outras medidas”, acrescentou.

Nesse sentido, Neto Viveiros destacou a importância do papel do movimento associativo, afirmando que o Governo dos Açores conta com as associações de caçadores para “promover esse desenvolvimento qualitativo e económico no setor cinegético regional”.

O Secretário Regional considerou que “estas são importantes reflexões que não devemos deixar de considerar, apesar das nossas preocupações mais imediatas – e bem – com o surgimento da nova estirpe da Doença Viral Hemorrágica (DVH) na Região, colocando em risco a exploração cinegética do coelho bravo”.

Para Neto Viveiros, tendo também em consideração o desenvolvimento que se pretende para o setor da caça, a gestão cinegética deve assentar “em conhecimento científico”.

Nesse sentido, destacou a colaboração do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) da Universidade do Porto, salientando que a “sua colaboração foi essencial” para a determinação “das medidas de minimização do impacto da doença nas populações locais de coelho bravo.”

Os investigadores David Gonçalves e Pedro Esteves do CIBIO participaram como oradores convidados neste encontro de dois dias, promovido pela Direção Regional dos Recursos Florestais, que envolveu as 11 associações de caçadores da Região, dirigentes e técnicos dos serviços que desenvolvem o trabalho de monitorização e os censos das espécies cinegéticas enaltecido pelo Secretário Regional.

A sessão pública que decorreu sexta-feira à noite no Auditório do Laboratório Regional de Engenharia Civil, em Ponta Delgada, pôde ser acompanhada pela Internet em todas as ilhas.

Atualmente, há 3.950 caçadores com Carta de Caçador regional válida, tendo o Governo dos Açores criado uma medida de incentivo ao associativismo, com a concessão de um desconto de 20% sobre a emissão da licença inicial de caça a quem se filie numa associação.

“Além da pro-atividade e conduta das associações, é essencial a sua representatividade para o sucesso da implementação de medidas de sensibilização e formação de caçadores em matéria de conservação ambiental, utilização racional dos recursos cinegéticos e adoção de medidas de segurança e boas práticas no exercício da caça”. afirmou Neto Viveiros.

GaCS/RL Açores

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