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CDS quer preservar as relheiras dos Açores e potenciá-las como produto turístico específico da Região – a proposta foi hoje aprovada

CDS quer preservar as relheiras dos Açores e potenciá-las como produto turístico específico da Região – a proposta foi hoje aprovada

 

A proposta do Grupo Parlamentar do CDS-PP que visa a identificação e preservação das relheiras dos Açores e a sua potenciação como produto turístico específico da Região foi, esta quinta-feira, aprovado, por unanimidade, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

A Deputada Ana Espínola afirmou, na apresentação da iniciativa, que com “o Projeto de Resolução pretende-se dar um triplo contributo ao desenvolvimento dos Açores: cultural, ambiental e turístico”, salientando que o objetivo “é a possibilidade de proteção de marcas do nosso passado das quais ainda sobram vestígios importantes, em várias ilhas”.

“Estamos a falar de preservar verdadeiros testemunhos do nosso passado, que poderão ser valorizados e tornados num produto turístico distinto da nossa Região, contribuindo com um novo produto que possa esbater a sazonalidade desta importante atividade económica. Chegados aos dias de hoje em que tanto se fala de turismo sustentável e de atrações turísticas nada como preservar o que ainda sobra dos nossos antepassados e no nosso pretérito coletivo. Perante as diligências que aqui se recomendam executar estamos a falar de um pequeno custo para o Governo, mas de um significativo investimento para a Região, tendo em conta o possível retorno que a criação de um novo produto turístico poderá ter nas pequenas economias locais onde existam relheiras”, consideram os populares açorianos.

Ana Espínola advertiu, porém, que “este Projeto de Resolução é, apenas, o início de uma etapa” que surge “da necessidade de se salvaguardar o que ainda existe”, apontando que, em algumas ilhas, como São Miguel e no Faial, “as relheiras praticamente desapareceram com a colocação dos pisos de alfalto” e lamentando que, na ilha Terceira, “já muito deste património foi perdido quando o arroteamento efetuado pelos serviços florestais para a plantação de criptomérias destruiu mais de 90% das relheiras visíveis ou, como em 2013, aquando das enxurradas uma máquina dos serviços florestais danificou um extenso troço de relheiras”.

Motivo de atração

Segundo a bancada parlamentar democrata-cristã “a marca paisagística designada nos Açores como relheiras tem sido estudada em diversos pontos do Globo, como por exemplo na Ilha de Malta”, embora as relheiras “também apareçam na Áustria, Suíça, Itália, Espanha e Portugal, para além da Bolívia”, e que “em todos estes locais distinguem-se tanto pelas semelhanças como por características próprias”.

“Também é comum a polémica que levantam, sobre se serão de um período histórico ou não. Se serão caminhos para exploração de pedreiras; porque se cruzam sem aparente lógica ou utilidade? Porque vão na direcção do mar? Porque têm só uma via? São dúvidas que assaltam as gerações mais novas de nativos, os viajantes curiosos e até mesmo a curiosidade científica em áreas como a arqueologia, a história, a antropologia, a sociologia, podendo ainda permitir o desenvolvimento de outras actividades como as relacionadas com o treino de gado para a tração, algo que, nos dias de hoje, se confina a zonas mais rurais ou até mesmo à construção e reparação de carros de bois”, disse Ana Espínola.

Cartaz turístico

Uma das vertentes que o CDS pretende potenciar com esta iniciativa parlamentar passa por “tornar as relheiras num cartaz turístico específico da Região”.

“O primeiro passo está dado. Mas o trabalho não termina aqui. É necessário sensibilizar as populações, informá-las, dar conhecimento das mais-valias que a sua preservação pode trazer para o futuro próximo. Também é necessário formar pessoas com a informação adequada para acompanhar e cativar quem escolheu os Açores como destino turístico”, desafiou Ana Espínola.

Ora, acrescentou, “é precisamente para que o suposto custo do desenvolvimento não coloque em causa a preservação deste património regional que pode reverter, a curto-médio prazo, num importante produto turístico, nem o destrua de forma irremediável, seja por incúria ou por desconhecimento, que o CDS-PP dá este contributo, propondo que a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores recomende ao Governo Regional dos Açores que: Inventarie, nas diferentes ilhas dos Açores, as relheiras existentes e a sua extensão, com vista à sua preservação e manutenção; Considere a promoção dessas estruturas como elemento turístico das diferentes ilhas do Arquipélago dos Açores; Apresente, no prazo de 270 dias após a publicação da presente Resolução, um relatório circunstanciado à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores com os resultados da inventariação e do plano de proteção dessas estruturas, bem como o plano de calendarização e sua promoção como elemento turístico”.

Para Ana Espínola “um Povo sem memória é um Povo sem futuro” e “é com a preservação da memória que queremos contribuir para o nosso futuro”.

As relheiras gravadas na rocha vulcânica dos Açores são um testemunho do nosso passado rural, associadas, segundo relatos históricos, ao transporte de lenha e produtos agrícolas, dos matos e locais de produção agrícola, em carros de bois, até às povoações. Este tipo de património que a rocha lávica açoriana persiste em conservar, noutros locais do mundo, especialmente nas últimas décadas, tem atraído a atenção de arqueólogos e cientistas, na tentativa de encontrarem uma explicação para os padrões observados, constituindo-se tal facto numa atractividade turística dos locais onde existem, como por exemplo, em Chipre e Malta.

GI CDS-PP Açores/RL Açores

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