“Dar por garantidas as conquistas do 25 de abril é um erro perigoso”, alerta o Presidente da Assembleia Legislativa

O Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), Luís Garcia, alertou para a necessidade de se defender “ativamente os valores da liberdade e da democracia”, sublinhando que dar como garantidas as conquistas do 25 de Abril “é um erro perigoso num mundo repleto de incertezas como o de hoje”.

 

O Presidente da Assembleia alerta para o facto de se viver “tempos incertos em que forças antidemocráticas ganham força em várias partes do mundo, a verdade é constantemente distorcida para manipular sociedades e os direitos conquistados ao longo de décadas são postos em causa”.

O Presidente da Assembleia falava na abertura da tertúlia “Conversas de Abril”, que teve lugar, no Museu do Parlamento, sublinhando que “não podemos ser ingénuos ao ponto de pensar que a democracia é inabalável. É nossa responsabilidade defendê-la”.

 

Falando perante uma plateia de 35 alunos do 9.º ano da Escola Secundária Manuel de Arriaga, o Presidente do Parlamento açoriano lembrou que a realidade democrática atual foi conquistada com esforço e que há apenas 50 anos, “não era possível estarmos sentados como estamos agora, a falar livremente sobre o que pensamos e a expressar opiniões”, pois a sociedade vivia “com restrições severas e um clima de vigilância que limitava estes direitos fundamentais”, esclareceu.

 

Para ajudar a ilustrar essa realidade, a sessão contou com os testemunhos do professor Victor Rui Dores e da Engenheira Delfina Porto que relatou, na primeira pessoa, a realidade vivida na área da educação no período pré-Revolução, destacando que “as turmas eram separadas por género e que as mulheres enfrentavam barreiras significativas no acesso ao ensino e ao mercado de trabalho”, por exemplo.

 

Já Victor Rui Dores fez um retrato mais abrangente da repressão vivida antes do 25 de Abril, abordando não apenas a falta de liberdade política e social, mas também as restrições na educação e até nas relações pessoais. “O controlo era total: sobre o que se dizia, sobre o que se lia, sobre com quem se podia estar. Não era apenas uma limitação de direitos políticos, mas uma vigilância constante sobre a vida das pessoas”, explicou.

 

Recorde-se que as “Conversas de Abril” integram o programa das comemorações do cinquentenário do 25 de Abril de 1974, organizado pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

RL/ALRAA

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