É tempo para conquistar avanços nas condições de vida de quem trabalha

A Coordenadora da CGTP-IN/Açores esteve reunida, em Ponta Delgada, para analisar a situação política e social e perspetivar a atividade sindical, que será marcada pela ação reivindicativa.

Os últimos 11 meses ficarão marcados pela enorme luta desenvolvida pelos trabalhadores. Uma luta de extraordinária exigência, mas à qual os trabalhadores aderiram, conscientes do que estava em causa e mostrando que não desarmariam, durasse o tempo que durasse. Uma luta que teve enorme expressão na Região, contrastando com o silêncio cúmplice do governo regional e dos partidos políticos que, na Assembleia Regional, o têm apoiado – mesmo quando fingem o contrário.

Foram dezenas as ações de luta desenvolvidas nos Açores: plenários sindicais, greves no setor privado e público, duas grandes Greves Gerais, concentrações, petições e abaixo-assinados e as comemorações do 1.o de Maio deram um contributo para condicionar o sentido de voto de quem se preparava para apoiar o governo da República e o grande patronato. A derrota do pacote laboral é indissociável desta luta e que se traduz, também, na derrota daqueles que o promoveram, o governo e as confederações patronais, ao serviço dos interesses do capital e dos grupos económicos.

Quem tanto investiu no pacote dos direitos do século XIX já veio demonstrar a sua postura antidemocrática: não só pretendia os trabalhadores fragilizados, piorando uma lei que já hoje não lhes é favorável, como pressiona agora para que a mesma proposta fosse apresentada tantas vezes quantas as que forem necessárias até que fosse aprovada. De cada vez que tal acontecer, terá dos trabalhadores a mesma resposta.

A vitória alcançada revelou haver condições e vontade para exigir a melhoria das condições de trabalho e de vida. Não podem ser os trabalhadores a ver o poder de compra encolher todos os dias, a levar para casa as dificuldades, a ter negado o direito a ter tempo para a família. É possível uma justa repartição da riqueza que, já hoje, é criada. É urgente um aumento geral, significativo e
imediato de todos os salários. É fundamental dinamizar, nos Açores, a contratação coletiva, enquanto instrumento para dinamizar o diálogo social e a negociação e combater as gritantes desigualdades sociais. O poder político regional tem de ouvir os trabalhadores e dar as respostas que estes exigem e merecem!

Segundo estes a  luta dos trabalhadores e a iniciativa sindical irão continuar, porque as reivindicações que levantam são justas, possíveis e urgentes: aumento dos salários para todos os trabalhadores – em 2026, 150€ ou 15%; valorização das carreiras e profissões; 35 horas de trabalho semanal para todos sem perda de retribuição; combate à precariedade; aumento do Acréscimo Regional ao Salário Mínimo Nacional (10%) e da Remuneração Complementar (100€); reposição do princípio do tratamento mais favorável ao trabalhador e revogação da caducidade da contratação coletiva.

RL/CGTP-IN