O Governo dos Açores está a concretizar um investimento de cerca de 20 milhões de euros, até 2030, através do projeto LIFE IP CLIMAZ, com o objetivo de reforçar a adaptação e a resiliência da Região às alterações climáticas, com intervenções em áreas como os recursos hídricos, a proteção costeira, as florestas, a agricultura, a energia e os transportes.
O LIFE IP CLIMAZ constitui o principal instrumento para a operacionalização do Programa Regional para as Alterações Climáticas (PRAC) e conta com uma dotação de cerca de 20 milhões de euros, cofinanciada em 60% pela União Europeia, prevendo contribuir para a implementação de cerca de 75% das medidas de adaptação e 70% das medidas de mitigação abrangidas pelo PRAC.
Segundo o Secretário Regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, a dimensão do projeto “permite atuar simultaneamente em áreas determinantes para a resiliência dos Açores, desde a gestão dos riscos naturais e dos recursos hídricos à proteção costeira, passando pelas florestas e uso do solo, agropecuária, ambiente marinho, energia e transportes”.
Uma das vertentes do investimento passa pelo reforço da capacidade técnica e operacional da Região. No âmbito do LIFE IP CLIMAZ foram já contratados 11 técnicos superiores e 29 assistentes operacionais, enquanto as equipas envolvidas participaram em 117 ações de formação, 55 das quais promovidas e financiadas pelo projeto.
Foram também investidos cerca de 1,3 milhões de euros na instalação de infraestruturas e na aquisição de ferramentas, maquinaria e equipamentos de proteção individual, a que acresce um investimento superior a um milhão de euros no reforço das frotas de viaturas. Este último permitiu adquirir duas viaturas elétricas ligeiras e 15 viaturas pick-up, incluindo as primeiras nove viaturas elétricas desta tipologia na Administração Pública Regional.
No domínio dos recursos hídricos, foram concluídos os processos de revisão do Programa Regional da Água, do Plano de Gestão da Região Hidrográfica dos Açores e do Plano de Gestão de Riscos de Inundações da Região, tendo sido também aprovado o Plano de Gestão de Secas e Escassez dos Açores.
O projeto contempla ainda intervenções concretas no território, incluindo trabalhos em 18 ribeiras, numa área superior a 11 hectares, e ações de reconversão de pastagens e recuperação de floresta nativa numa área de 80 hectares, acompanhadas pela plantação de cerca de 100 mil exemplares de espécies endémicas e nativas.
A intervenção estende-se igualmente à mobilidade elétrica, através da entrada em funcionamento de mais 40 postos de carregamento público de veículos elétricos, bem como a outros domínios abrangidos pelo projeto, entre os quais a agricultura, o ambiente marinho e a energia.
O governante salientou que os territórios insulares, como os Açores, apresentam particular vulnerabilidade perante fenómenos associados às alterações climáticas, designadamente a subida do nível médio do mar, a erosão costeira, as alterações do ciclo hidrológico e dos padrões de precipitação, a salinização dos solos e aquíferos e a acidificação dos oceanos.
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