Agricultores da Ilha Terceira vivem situação de desespero, considera PSD Açores

O PSD/Açores alertou esta terça-feira para o facto da agricultura terceirense estar a viver “um dos períodos mais difíceis dos últimos 20 anos”, sendo que há mesmo agricultores terceirenses “que vivem uma situação de desespero, face à enorme crise instalada no sector”, disse o deputado Luís Rendeiro.

O social-democrata falava após uma reunião com a Associação de Jovens Agricultores Terceirenses (AJAT), onde frisou que a situação “é ainda mais grave para os jovens agricultores, que podem ver hipotecado o seu futuro no sector leiteiro, pois estão sem condições para recuperar investimentos que foram incentivados a fazer”, referiu.

Luís Rendeiro acusa o Governo Regional, “que teve dez anos para se preparar para o fim das quotas leiteiras” de não ter feito “essa preparação. Não o fez, e agora é preciso agir em situação de emergência”, sublinha.

“A verdade é que o recente abaixamento do preço pago por litro de leite, e as anunciadas restrições à produção, deixaram a lavoura terceirense de mãos completamente atadas perante a crise resultante do fim das quotas leiteiras”, afirmou.

Segundo o deputado, os agricultores terceirenses “sofrem uma penalização agravada pelo facto da indústria estar em situação de monopólio, pagando à produção um preço substancialmente inferior ao valor médio pago na Região”

“Além disso, não há, por parte da mesma indústria, capacidade ou vontade de valorizar ou diversificar os seus produtos, de modo compensar os agricultores pela qualidade do leite que entregam para a transformação”, avança Luís Rendeiro.

O deputado do PSD/Açores defende que “o Governo Regional e a Pronicol/Lactogal, têm de sentar-se à mesa para encontrar respostas face a esta situação. Estamos a falar de cerca de 700 explorações agrícolas e, mais do que um problema económico, existe já o risco de uma catástrofe social”, referiu.

Segundo Luís Rendeiro, “só o Governo Regional pode fazer a defesa dos agricultores terceirenses, perante o maior operador do País na área dos lacticínios. E não se percebe porque é que esta defesa não está a ser feita. O governo que aparece nas inaugurações é o mesmo que deve ser exigente perante a indústria, que o próprio governo apoia”, considera.

O social-democrata critica ainda a tutela por “sacudir as suas responsabilidades na crise actual. E de nada serve culpar Bruxelas, quando não se organizou a produção na Região, e se governa às cegas, apenas distribuindo subsídios e fundos comunitários”.

“Continuam a faltar a valorização, a certificação, a diversificação e uma adequada rotulagem dos produtos lácteos da Região, que promova as suas características e benefícios para o consumidor”, acrescenta.

O social-democrata lamenta “esta inação do Governo Regional, que se demitiu de procurar soluções locais, e apenas espera que Bruxelas faça milagres, abandonando os nossos agricultores. E esses, que têm feito sempre a sua parte, não precisam de um governo que não atua perante os problemas e que, como tal, se torna mais um problema”, concluiu Luís Rendeiro.

GI PSD Açores/RL Açores

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